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Decoração natalina

 Minha decoração natalina esse ano anda em baixa. Em primeiro lugar porque eu estou sozinha em casa e eu sou péssima fazendo isso sozinha - ou seja, já não vai ficar lá grande coisa independente do que aconteça. Em segundo lugar que faz muito tempo (e com isso eu quero dizer algo em torno de uns dez anos) que eu/minha mãe/alguém da família comprou o grosso mesmo da decoração natalina e nossos enfeites estão precisando desesperadamente de um update. Estão faltando coisas básicas e algumas que não estão faltando, estão tão cacarequinhas que nem vale a pena pendurar em algum lugar.

 Até agora, eu preciso:
1) Uma árvore de natal. Suave, hahaha. Sem ela não tem nem graça começar a pensar no assunto e, infelizmente, eu estou sem. Mas isso é temporário, já comecei a tomar providências nesse sentido (esse ano estrearei o natal com algo inédito - se tudo ajudar -: Uma árvore de natal emprestada

2) Luzinhas coloridas/Luzinhas brancas. Dos meus três rolos, só um estava funcionando. Eu preciso de pelo menos mais três. (Dois para colocar na árvore emprestada e um pro corrimão da minha escada).

3) Extensão. Enquanto eu sei que extensões não são parte da decoração natalina, sem elas nada acontecerá - uma vez que minhas luzinhas, sim, aquelas que eu ainda não comprei e pretendo colocar na árvore que ainda não peguei emprestada, não vão piscar, brilhar e serem felizes se não estiverem com a bundinha devidamente encaixada em uma tomada.

4) Guirlanda. Eu não posso colocar nada do que nós temos na porta, está deprimente e eu quero alegrar o natal, não acabar com ele.

5) Um milhão de dólares. Entre decoração natalina, presentes de natal, viagens e minha wishlist querida, não há dinheiro que aguente (especialmente se você, como eu, mal está conseguindo se dobrar em três para pagar a passagem da faculdade, a comida do dia e ainda conseguir sair no fim de semana). O dinheiro será extremamente bem vindo. Pode cair no meu colo quando quiser agora.

 Para não dizer que tudo que envolve o natal tem mais me dado problemas do que satisfação até o momento, hoje eu enviei minha inscrição para o Jily Secret Santa! ♥ Eu, que já sou louca por a) natal, b) amigo oculto e c) Jily, não poderia estar mais contente de estar participando. Mal posso esperar pra ganhar meu presente! (E, é claro, já estou surtando e entrando em total-control-freak mode para tentar conciliar isso + decoração da casa + trabalhos/provas de final de período da faculdade sem estragar nenhum deles) Entrei na brincadeira na sessão de graphic art (com desenho) e fic. Estou extremamente curiosa para ver a wishlist da minha/do meu amiga(o) secreta(o)!

 Enfim, preciso parar de enrolar e ir estudar, fazer trabalhos, escrever o esboço da minha oneshot natalina e arrumar coisas fofas para decorar minha casa pro natal. 22 and counting!

To-do list

(aka A lista das 10 coisas mais entediantes e mundanas que existem nesse universo cósmico)

1) Fazer o resumo de Direito Cambiário e de Teoria das obrigações. (prova dia 04/12)
2) Fazer o trabalho de Constitucional (para o dia 16/12)
3) Descobrir o que vai cair na prova de Filosofia do Direito (dia 17/12)
4) Dar aquela olhadela desesperada de último minuto na matéria de francês que você disse que ia revisar e não estudou (e é amanhã às 9h!!!)
5) Comprar os presente de natal. (Na verdade esse devia ser 'ter ideias brilhantes do que dar de presente de natal', mas eu gosto de fingir que eu já passei dessa fase angustiante)
6) Começar a escrever meus prompts. (Procrastinator lvl 99)
7) Ligar para a dermatologista (amanhã de manhã).
8) Ir ao centro comprar a decoração e etc's para São Pedro. (ANTES da semana do reveillon, de preferência!)
9) Aprender a mexer na lava-louça (vou precisar parar de ignorar a pilha se acumulando na pia em ALGUM momento da minha vida.)
10) Surtar porque não consegui pensar em presentes de natal decentes (!!!!!!)

+ Fazer a decoração natalina de casa pra ninguém além de mim mesma.

TAG dos livros!

Um livro…
1) Que você nunca leu.
(Minha vergonha suprema) Ulisses, James Joyce.
2) Não sente vontade de ler.
Hmmm, O guia politicamente incorreto de (qualquer coisa). Ew.
3) Que todo mundo gosta, menos você.
(pasmem) A Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. (2) Minha resposta nesse caso acaba sendo a mesma do Yuri, de quem eu peguei a TAG. Minha outra resposta seria, sei lá, 50 tons de cinza.
4) Que ninguém leu, mas você gosta.
O fio da navalha, de William Sommerset. Tirando a pessoa me indicou, só encontrei mais uma pessoa que leu - quem me deu o livro!
5) Tem vontade de concluir.
A Divina Comédia, de Dante. Eu só li a primeira parte -- Inferno, e fiquei pendente no resto da obra, mas quero muito concluir.
6) Tem curiosidade de ler.
A Vida de Pi, Yann Matel. Clichê, clichê.
7) Leria tudo de novo.
Sempre releio meus livros favoritos, O retrato de Dorian Gray é o campeão das releituras. Mas atualmente estou querendo reler a trilogia da Bussola de Ouro, de Philip Pullman.

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A frustração do outono perfeito

  O outono ostenta certo cheiro de poesia.

 Ou, ao menos, foi o que Louise sempre achou. Desde nova tinha essa mania de associar tudo, era quase uma obsessão – as pessoas a palavras, os cheiros a sabores, quanto menos óbvios melhor, músicas a momentos, sapatos a sentimentos e daí por diante. Não foi diferente com as estações do ano.

O inverno lhe recendia a saudade, a primavera a louça chinesa – colorida, linda e delicada, o verão a sexo, apressado e passional, e o outono... A poesia.

 Não saberia dizer em que momento da vida associou a estação à poesia e embora fosse ter adorado sentar para ler William Blake sob as árvores no outono, não o fez. Cresceu num apartamento sem árvores e numa cidade em que o outono não era uma estação muito marcante.

 Mas a partir de algum momento bastante singular e iluminado, talvez quando mudou-se para o Vancouver, talvez quando viu as árvores despindo-se pela primeira vez ou ainda quando as páginas de seu livro antigo de Emily Dickinson adquiriram a mesma tonalidade das folhas outonais, Louise soube que o outono era pura poesia.

 De rimas e ritmos tão próprios que teria um estilo muito indivisível, atômico, não comparável nem a Shakespeare, nem a Keats, nem a T.S. Elliot. O outono seria uma poesia em si mesmo, em seu cheiro, suas cores quentes, suas tardes frias.

 No vazio dos dias e da vida, uma estação com sabor de poesia era algo a se esperar! Enquanto os dias fossem ordinários para todos os outros, Louise teria um segredinho muito seu que somente afetava seu nariz, sua visão e seu humor. No outono, ela sentia que tudo incandescia, iridescente. Nos vocábulos, monossílabos e versos alexandrinos o dia passaria com ritmo de música e então ela dançaria pelas ruas, ao sabor do vento, procurando, quem sabe alguém com quem dividir aqueles versos tão íntimos.

 Talvez encontrasse, nessa menina ou naquela, ou quem sabe em cada uma a seu momento, mas não para sempre.  Somente enquanto durasse o outono e seu ritmo de aquarela e suas rimas de sensualidade abstrata. E seus dias, seus beijos e suas vidas.

Tradição

  O cheiro doce das folhas vem no vento gelado que se choca contra meu rosto. Meu mundo inteiro caberia dentro desse instante. Os raios de sol escapam pelas frestas entre as copas das árvores e ao nosso redor nenhum som me alcança que não o do motor do carro acelerando e a música explodindo nos amplificadores. Meus olhos estão fechados e a falta de capota do conversível me expõe a tudo dentro da nossa pequena bolha, mas a sensação mais presente e mais instigante ainda é a de ter você ao meu lado.

 É a nossa pequena tradição.

 Eu que sempre imaginei o passado recente com um ar tão glamourizado que o presente jamais poderia se equiparar, me sinto em um momento atemporal. Existe essa estrada de curvas infinitas, ladeadas de tantas árvores e tão altas que é difícil ver o céu, é um recanto bem no meio da cidade grande de paredes cinza e olhares hostis. E nós sempre passamos por aqui e a partir do momento que começamos a subir, essa subida lânguida e comprida, parece que fomos transportados para um outro mundo, um outro tempo, um lugar só nosso, onde não existem compromissos ou obrigações e podemos ser tão irresponsáveis e eternamente jovens como sempre desejamos ser. Aqui somos quem queremos ser e aqui nos amamos loucamente, durante esses poucos minutos, com o carro subindo a cento e tantos quilômetros por hora e a risada quase surda, nos amamos como nunca nos amaríamos em qualquer outro lugar.

 São gotículas de felicidade inesgotável, inexplicável, inexaurível. Somos só nós na infinita dança astral, somos partículas de poeira cósmica, somos estrelas, somos galáxias inteiras, somos deuses. Somos infinitos. E toda a diferença é esquecida e glorificada ao mesmo tempo em um êxtase de não pertencer a mais nada que não eu a você e você a mim.

 Chegamos ao cume, rápida e violentamente e o mundo vira de cabeça para baixo e finalmente descemos, descemos livremente com um sorriso no rosto, daqueles sorrisos raros que poucas pessoas tem a chance de experimentar. Não é um sorriso só de lábios e dentes e músculos, nem mesmo um sorriso que alcance os olhos e a alma. É um sorriso maior, um sorriso de comunhão com o todo, um sorriso de todas as eras e vidas passadas, um sorriso cru e amoral. Um sorriso lindo que liberta de todas as amarras.

 É a nossa mais preciosa tradição.

 Quando o carro atinge o outro lado, depois de termos deslizado pela descida como raios triunfantes, subitamente toda a magia acaba e somos novamente só duas pessoas comuns, em um carro velho ouvindo rock. Somos um clichê cultural tão grande, de brigas tão convencionais e um amor tão lugar comum. Somos dois, que passeiam de mãos dadas entre idas e vindas. Mas lá, no nosso esconderijo secreto, lá somos um. E para lá continuaremos a retornar, como viciados em buscar de minutos de felicidade, sempre.

A Thing of Beauty (Endymion)

 

A thing of beauty is a joy for ever:
Its lovliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o'er-darkn'd ways
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make
'Gainst the hot season; the mid-forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven's brink.

50 fatos cinematográficos sobre mim

Da épica série 'devia estar estudando, mas...', nasceu essa listinha.

50 fatos cinematográficos sobre mim que ninguém perguntou ou quer saber:
1- Gosto de Vicky Cristina Barcelona, me julguem.
2- Detesto o estilo do Tarantino (versão trash do Scorsese!!!)
3- APESAR de não gostar do Tarantino, abro exceção pra Bastardos Inglórios porque o filme é fantástico.
4- Só fui ver Sexto Sentido em 2012. Foi muito triste já saber o final.
5- Não gosto de Star Wars, me julguem de novo.
6- Não acho as adaptações de Harry Potter pro cinema assim tãão deploráveis. Os livros são bem melhores, mas né...
7- Avatar é um saco, digam o que quiserem. É bonito, sim, mas ê historiazinha previsível.
8- Não se enjoa de Titanic. Assim, nunca.
9- Nem de As Branquelas. Eu rio TODA VEZ, mas é impressionante! Hahaha
10- Adoro, adoro, ADORO animações. É, de longe, um dos meus 'gêneros'(?) preferidos.
11- Não entendo nada de cinema, mas gostaria, tenho muita curiosidade de aprender.
12- Detesto filmes de comédia romantica dos anos 80. Menos 10 things I hate about you, porque né, o Heath cantando nas arquibancadas é divino!!! (nem sei se o filme é dos anos 80, mas é o estilinho)
13- Gostei da nova adaptação de The Great Gatsby, achei interessante, meio teatral. É chato ficar refazendo o trabalho
alheio, do que adiantam 4 adaptações cinematográficas se são todas iguais?
14- A trilha sonora é 50% do filme.
15- Os filmes do Nolan pro Batman são meus filmes de super-herói favoritos. Suck it, Avengers.
16- Odeio, honestamente, ODEIO a primeira franquia dos filmes do homem aranha. Já não sou muito fã da Kirsten Dunst e detesto absolutamente o Toby McGuire fazendo aquele Peter chato e chorão. Acho todos muito enfadonhos.
17- Tango & Cash vale a pena só pra ver a piadinha com o Stalone, 'who do you think you are, fucking Rambo?'
18- Passei a achar Gamer muito mais interessante depois que reparei que o Michael C. Hall fazia o vilão, o Castle.
19- Se tem o Ryan Gosling, eu assisto, ponto. (eu e todo mundo, sei disso hahaha)
20- Choro com toda morte animal. Sério, toda. Até naquele filme do Will Smith com o filho dele, quando a águia morre. É patético.
21- Revejo filmes que gosto como se fosse a primeira vez. Não importa quantas vezes eu já tenha visto. E ai de quem tentar interromper meu filme, ou mandar um 'mas você já viu isso mil vezes!'
22- Como treinar seu dragão e Meu malvado favorito são as melhores animações da vida! <3
23- Não tenho nem gênero, nem filme favorito. Meu gosto varia de acordo com o meu humor.
24- Em geral, não gosto muito de musicais. Prefiro mil vezes musicais no teatro, fica tudo mais vívido, lindo e emocionante.
25- Existem, obviamente, excessões. Oi, Les Miserables.
26- Não vi Moulin Rouge até hoje. Agora todos tem permissão eterna pra me julgar.
27- Filmes em 3D costumam me deixar muito enjoada, então eu normalmente evito.
28- Costumo marcar a cara dos atores pelo papel que eu mais gostei e eles serão aquele personagem pra sempre. Por exemplo, o Ryan Gosling será pra sempre o Noah, mas a Rachel McAdams vai ser pra sempre Regina George.
29- Tomo pouquíssimos sustos com filmes de terror e geralmente não tenho muito medo durante o filme, mas fico meio apreensiva depois se assistir a noite! Então coloco no canal de cartoons se for antes de dormir, é de lei.
30- Dakota Fanning vai ser pra sempre minha atriz mirim favorita. A menina era um abuso, pfvr né!
31- Modinha ou não, Midnight in Paris é meu filme favorito do Woody. É impossível não se apaixonar!
32- Nunca vi Noivo neurótico, noiva nervosa (ou é o contrário?).
33- A Michelle Williams em My week with Marilyn baixou espírito. A atuação foi impecável, o 'excuse my horrible face' quase me fez chorar.
34- Tenho sempre que pensar duas vezes antes de diferenciar a Amy Adams da Isla Fisher.
35- Confessions of a shopaholic é uma adaptação muito ruim de um livro muito engraçado.
36- Sim, a Marilyn é minha atriz favorita, APESAR de não ser a melhor atriz que eu já vi, admito. Sou obrigada pelo bom senso né.
37- A melhor atriz é provavelmente a Meryl Streep. Ela tem tudo! Carisma, talento, dedicação, versatilidade, beleza, experiência...
38- Sempre achei a Anne Hathaway muito sem sal, apesar de excelente atriz. Aí veio TDKR e deu um chute de salto agulha na minha cara.
39- Não sou muito chegada a pipoca, então o combo pipoca+filminho nunca me atraiu tanto assim. Brigadeiro, por outro lado né...
40- Prefiro ler o livro antes de ver o filme. Por maior que se tornem as chances de eu não gostar da adaptação, prefiro a ficar com a impressão ruim gravada sobre a obra que, depois, quando eu for ler, não vou conseguir separar.
41- Seria uma pessoa bem mais feliz se pudesse ver pelo menos um filme por dia.
42- The Dark Knight é o melhor filme da trilogia do Nolan e é sim sensacional. Mas preciso admitir que metade do boom que o filme fez na época foi por causa da morte do Heath Ledger. Acho que todos preferíamos um filme menos hypado e um ator tão bom vivo.
43- Sou bem chegada num vilão. Na maior parte das vezes eles são tão mais ricos e interessantes que os mocinhos! :(
44- Gosto de histórias com finais inesperados, mas bem concluídos. Filme com o final em aberto me dá uma aflição!
45- A fotografia e a direção de arte podem me ganhar ou me perder totalmente num filme, vide a ultima adaptação de Ana Karenina. O que era aquela direção de arte maravilhosa? Me apaixonei!
46- Senhor dos Anéis é dos raríssimos casos onde eu gosto muito mais do filme do que do livro que o deu origem!
47- A Bússola de Ouro é um livro maravilhoso que merecia uma adaptação muito, mas MUITO melhor!
48- Odeio adaptações que mudem fatos da história, muitas vezes cruciais, que se transformam em incoerências e pontas soltas. Deixa do jeito que o autor fez, desgraça!
49- Sou muito crítica meeesmo com filmes. Mas muito chata. No entanto, a crítica profissional geralmente pensa o oposto que eu em quase todos os filmes. Não sou uma crítica lá muito talentosa.
50- O Batman do Adam West é meu filme de comédia preferido <3 hahahahaha

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Meu franco estado de negação

 Hoje eu poderia escrever, como muitos (a maioria? todos?) estão fazendo, sobre os diversos manifestos que estão ocorrendo em todos os estados do Brasil. Eu poderia escrever sobre a modinha de ir ao protesto pra tirar foto pro fb/instagram e poderia reclamar da transformação de uma reivindicação válida numa amostra grátis - ou não - do carnaval de 2014. Eu poderia diferenciar política de politicagem e ativismo de verdade de ativismo de facebook. Poderia ficar horas e horas expressando a minha revolta pelo desperdício de algo que começou tão lindo e ao longo dos dias foi se tornando despropositado. Poderia, como muitos fizeram muito mais eloquente e brilhantemente do que eu jamais seria capaz, comentar sobre o fato alarmante da direita e, em especial a direita fascista, estar nas ruas, miscigenada com essa manifestação. Também não conseguiria deixar de comentar que o posicionamento da mídia a favor dos manifestantes como algo - no mínimo - preocupante e de deixar qualquer um temerário. Poderia falar sobre ufanismo, anti-partidarismo e pixações de 'Brasil: Ame-o ou deixe-o' que figuraram sujismundamente nos muros da ALERJ. Características que, quando postas juntas, pintam a perigosíssima face do fascismo. Inclusive, falaria sobre as agressões sofridas pelos militantes de qualquer causa por parte não da polícia somente, mas dos próprios manifestantes radicais, apoiados, estimulados pelos vazios gritos de 'sem partido!' de uma massa que, em geral, desconhece qualquer ideologia partidária. Teria a obrigação de moral, se resolvesse tratar de tudo isso, de fazer uma análise histórica do golpe de 64. E seria obrigada pelo bom senso a me manifestar temerária, desconfiada e infelizmente contrária ao rumo deprimente que tais manifestações desenvolveram. Mas hoje eu não quero escrever sobre nada disso.

 (Uma amiga bastante perspicaz colocou em sábias palavras: Se o gigante acordou, que bom! Agora vamos colocá-lo para estudar.)

 Não entro no mérito da questão pura e simplesmente pelo desgaste de todas as discussões que já engendrei por conta do assunto. Até o meu próprio ~ativismo de facebook~ já deixou bem claro meu posicionamento pessoal e o meu medo. Porque eu tenho medo - e muito! - desses protestos. Não medo do Bope, do choque ou da PMERJ, por mais terríveis que eles sejam. Não medo de ir a rua defender à toda voz o que se acredita. Mas um medo profundo, gélido e aterrador de uma massa de manobra que vai às ruas gritar slogans genéricos. O meu medo maior é ser o jovem de hoje envergonhado amanhã, como muitos dos 'caras pintadas' (que TAMBÉM eram um movimento-globo, não se pode esquecer) hoje em dia são. Envergonhado do conhecimento de base que não teve interesse de procurar, da reflexão a qual não se deu ao trabalho de fazer, dos ideais completamente desconhecidos defendidos a ferro e fogo, de se deixar ser usado, de garantir respaldo à classe mais ordinária do cenário político brasileiro e de ainda ter acreditado que estava defendendo algo maior.

 No momento, não quero pensar em nada disso.

 Hoje estou em franco estado de negação.

 Hoje estou em franca depressão com o que está acontecendo.

 Hoje não quero ouvir minha voz interior, por isso mesmo que não desejo escrevê-la.

 Amanhã é um outro dia e amanhã todos nós teremos - temos - uma imensa responsabilidade de por os pingos nos is e não deixar que as coisas se degringolem de maneira ainda pior. Amanhã precisaremos de mais organização, liderança, foco. Teremos de aprender e ensinar quais são as atribulações, poderes e limitações de um presidente para que não se repitam/compartilhem as insanidades que saem da boca dos ignorantes e dos mal-intencionados. Amanhã teremos que aprender o peso de um impeachment e parar de gritar isso pros quatro ventos como se fosse uma solução adequada que, de repente, fosse curar a endemia que tomou conta da política nacional. Amanhã terei que escrever sobre tudo isso e mais um pouco e estar pronta pro que der e vier. Amanhã terei que insistir que as pessoas leiam o conteúdo factual do PEC 37, 33 e de preferência todos os outros PECs e PLCs que estão em trâmite, porque todos nos interessam. Amanhã precisaremos de menos Jabour, menos Pelé, menos Ronaldinho, menos Jornal Nacional. Amanhã precisaremos de mais livros de história, mais pesquisa, mais acesso aos sites do Plenário, Congresso, MP, amanhã precisaremos de mais consciência na hora das eleições e de mais conhecimento de IDEOLOGIA PARTIDÁRIA para escolher seu candidato não apenas por seu discurso arrumadinho ou seu rostinho bonito no horário eleitoral, mas principalmente pelo substrato que o sustenta e impulsiona. Hoje vou me deixar ter medo, porque amanhã ele não poderá ficar no meu caminho se é que eu desejo mesmo mudanças estruturais.

(E isso serve pra qualquer um)

MAIS MAIS MAIS!

E muuuito tempo depois eu volto com uma atualização tão para mim mesma que não poderia jamais interessar outras pessoas. Isto é, mais livros que eu preciso lembrar de comprar/ler! ♥
- O Iluminado, Stephen King.
- O Velho e o Mar, Ernest Hemingway.
- Breakfast at tiffanys, Truman Capote
- O senhor das moscas, William Goulding
- Factótum, Charles Bukowski
- Drácula, Bram Stoker
- Um estudo em vermelho - Arthur Conan Doyle
- Suicidas, Raphael Montes
- Servidão Humana, William Somerset
- Em busca do tempo perdido, Marcel Proust
- A terra desolada, T. S. Elliot
- Histórias extraordinárias, Edgar Allan Poe
- Ana Karenina, Leon Tolstoi

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Ex-amores


Outro dia, me perguntaram, assim, meio do nada:

"Você acredita que duas pessoas que estavam envolvidas em um relacionamento podem manter uma amizade após o término?"

 Sinceramente, não é uma questão que eu tenha dado muita atenção durante a vida. Usualmente quando eu termino alguma coisa, termino de verdade, sem muitas idas e vindas. Isso porque términos de qualquer tipo de relação só acontecem quando eu tenho um motivo muito forte para romper, quando já está inexpurgável, inaguentável, e, se eu cheguei a essa conclusão, eu prefiro seguir em frente. É mais fácil e, na maioria das vezes, mais são. No entanto, eu nunca terminei um namoro.

 E essa sim deve ser uma das situações mais esquisitas da vida. Soa inacreditável, bizarro até, pensar que aquela pessoa com quem você almoçou nu sobre a cama num domingo de preguiça,que te viu dormir e acordar, te beijou com bafinho, acompanhou um determinado período da sua vida com uma intimidade singular, brincou com seu cachorro, conheceu um lado seu que será pra sempre somente dele(a), dividiu alegrias, tristezas, sexo, suor, lágrimas, risos, fotografias, momentos, simplesmente não vai estar mais lá. A vida tem dessas coisas e uma intimidade tão imensa pode se pulverizar em um segundo.

 Talvez seja possível manter uma amizade. Se o término for do jeito menos traumático possível, honesto, humano. Mas para mim ainda soa difícil. Como olhar para aquela pessoa com quem um dia você dividiu uma parte tão única da vida e conversar banalidades? Como evitar aquela troca de olhares cúmplices antes tão comum, tão erótica? Ou um toque, uma memória... Como transformar em amizade o que um dia foi paixão? Sendo uma pessoa pouco dada a meio termos, acho isso tão complicado, tão torturante! 

 Acredito que seja possível dependendo da natureza das partes envolvidas. A minha não é muito tendenciosa a seguir por esse caminho, de verdade. Acho que pode ser gostoso ter um amigo que te conhece tão completamente, mas ao mesmo tempo isso me assusta. É conhecer demais sobre mim, saber demais o que esperar, como me atingir, como me satisfazer. Tenho um grande medo de grandes amores que se transformam em grandes amigos.